28 março 2010

Chego à conclusão que a idade não perdoa.
Ou então estou só a ficar careta, o que também é uma possibilidade, visto que ainda nem ao quarto de século cheguei...
Não era suposto eu estar a chegar agora ao auge da minha vida, com energia e ânimo para dar e vender? Não era agora que eu devia estar imparável, sempre com programas animados para fazer e festas onde ir e almoçaradas tardias com amigos morenos e bem dispostos em esplanadas e coisas dessas?
Era. Eu pelo menos acho que sim.
Mas não.
Declaro aqui e agora que tenho fortes suspeitas da morte da minha vida social.
Ontem estava animadíssima para saír, muito mesmo. Estava convencida que, depois de uns meses largos de prisão domiciliária voluntária, ia rodar a baiana para o Bairro Alto, dançar até mais não poder numa discoteca qualquer, divertir-me imenso, rir imenso, reencontrar pessoas que não via desde os meus tempos áureos de faculdade, conversar, beber uns copos, chegar a casa às 8.30 da manhã depois de um merecido pão com chouriço na merendeira.
Pensava mesmo que ia reabrir o ciclo de noite à antiga.
Mas não.
A tarde foi engraçada, com cafézinho na Benard, um passeio pelo Chiado com o J., uma ida ao supermercado para comprar tudo para o jantar, banho longo, unhas pintadas, jantar no forno, Muralhas no frigorífico; enfim, tudo pronto para uma óptima noite.
O jantar também correu bem. O T. veio cá a casa, o bacalhau com natas estava óptimo, o vinho ainda melhor. Foi só enfiar uns trapinhos e descer para o Bairro.
Aí é que a coisa começou a dar para o torto.
O maralhal de gente típico de um Sábado à noite de Bairro Alto e que dantes costumava adorar, foi só o começo da minha falta de boa disposição. Gente a mais, gente feia a mais, pouco espaço para andar, muito barulho para conversar. Perdi o ânimo; parecia era ser a única, porque à minha volta estava tudo animadíssimo, para meu espanto. Como o Muralhas fresquinho ainda se revoltava no meu estômago e me turvava um bocadinho a cabeça, não fui sequer buscar uma bebida, nem um vodka, nem uma morangoska e aí coisa começou a descambar.
Não encontrei niguém conhecido, ninguém me conhecia a mim, começava a ficar com sono, não me apetecia estar de pé, não me apetecia estar ali, já nem sequer me apetecia ir dançar.
Tudo o que conseguia ocupar a minha cabeça era a doce imagem da minha cama e a promessa de quentinho da minha casa. Que é que se passa comigooo?
Na primeira oportunidade pirei-me. Confesso, pirei-me mesmo à grande. Beijinhos a todos, vou andando que estou cansada e ala que se faz tarde.
Mas quem sou eu agora pá? Não me conheço, juro que não.
Acabei às 3 da manhã (da hora nova, atenção!) a comer batatas fritas com o V. na cozinha.
Fui-me deitar logo a seguir, desapontada com a minha noite falhada.
Hoje acordei, está um dia tao lindo e ninguém em casa, nem para ir tomar um café a uma esplanada ou dar uma volta.
Que desgraça.

1 comentário:

  1. A mana bem disse que devias ter vindo ouvir um faducho... E que bom que foi...
    E durou até às 4h da hora nova... portanto, já sabes... foi uma má escolha...
    Vens para a semana e vais ver que vai ser óptimo...
    A sueca é que vai para Lx mas, eu cá acho, que também se vai arrepender...
    Que isto na província é que é bom!!!

    Beijo

    Mana

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